Na Condução do Futuro

Por Redação CBESP

Gézio Duarte Medrado

Nascido em 1944, Gézio Duarte Medrado é natural de Santana do Parnaíba, interior de São Paulo. É casado há 50 anos com Raquel Florêncio da Silva Medrado. O casal tem três filhos e nove netos. Membro da Igreja Batista da Liberdade, na Capital, Gézio é o diretor geral da Rede Batista de Educação (RBEd) e acumula cargo idêntico no Colégio Batista Brasileiro, localizado em Perdizes, e figura como vice-presidente da Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE). Ele é mestre e doutor em Direito das Relações Sociais, e juiz do trabalho aposentado. Entrevistado pela Batistas SP, Gézio conta um pouco de sua trajetória e sobre a mais nova instituição batista.


Como começou sua história com o Colégio Batista Brasileiro?

Começou em 2004, quando recebi o convite para dirigir a instituição que já tanto admirava. Mas quando aceitei, o Colégio já tinha um nome, uma marca forte, e eu assumia a missão de dar continuidade ao legado do casal Ana Luthere William Buck Bagby. Eles compraram o colégio da empreendedora, amiga e membro da Primeira Igreja Batista em Santa Bárbara d'Oeste, Mary Mclntyre. O casal sonhou em ter no Brasil uma escola baseada no tripé: educação, formação integral e fé cristã. Aquela era a visão deles sobre o que poderia ser o futuro da educação de qualidade.


Quais são os desafios e as expectativas pós-pandemia no cenário educacional?

As expectativas iniciais são a de vencer o momento atual e construir um novo cenário com novo jeito de fazer as “velhas coisas”, certos de que é o cumprim


ento de todos os protocolos que possibilitará passar incólumes pelas adversidades que a fragilidade física nos expõe diante da pandemia. Existe a certeza de que não seremos iguais ao que éramos antes. O mundo digital, que avançou de modo avassalador sobre todas as culturas, e as influenciou, exige fortes adaptações para a nova realidade. Assim aconteceu nas boas instituições de ensino em que a direção e o corpo docente acordaram para esse novo método de lidar com o ensino. Ele veio para ficar, porém, de modo híbrido na ministração das aulas. No entanto, a natureza gregária do ser humano exige à convivência social e disso não podemos nos apartar. Por exemplo: ao ver os alunos no retorno às aulas presenciais com entusiasmo, olhos brilhantes e sorrisos nos rostos, mesmo sob a proteção das máscaras faciais, “matando” a saudade, foi algo emocionante! Todos aqueles sons de passos apressados, vozes desafinadas e mochilas


chacoalhando, foram como música para os meus ouvidos. Em tudo isso, nosso foco se mantém em preparar as pessoas que serão os protagonistas do futuro.


Quem seriam esses protagonistas do futuro?

Eles já estão entre nós. Nas salas de aulas, nas atividades esportivas, atrás dos computadores no ensino a distância e em nossas igrejas. No passado, não tão distante, conviviam entre nós aqueles que atualmente nos representam em vários segmentos, e hoje alguns são atletas, servidores públicos, médicos, engenheiros, líderes denominacionais, escritores, promotores da justiça e da cultura. Fico feliz quando encontro um ex-aluno realizado no cumprimento da sua vocação. Imagino que os próximos serão ainda mais bem preparados para os desafios da vida, pois já compartilham histórias reais de perdas, lutos, privações, superação e resiliência.

Como pretende a instituição preparar os alunos p


ara os novos desafios? Primeiramente com a ajuda de Deus, pois, sem Ele, nada poderemos fazer. Quanto à capacitação dos alunos, vamos oferecer o domínio do conhecimento, a experiência e a habilidade na aplicação do conhecimento e da ciência disponível para formação de liderança comprometida com as demandas deste tempo. Queremos dar no seu momento, acesso a todos os que passarem por nossas instituições, permitindo o desenvolvimento de seus potenciais intelectuais, de modo a tornarem-se preparados para o enfrentamento de um mundo altamente competitivo. Conto também com a direção acadêmica do professor e pastor Luiz Sayão, com as diretoras pedagógicas, coordenadores, professores da Faculdade e dos Colégios em Perdizes e Bauru. Meu desejo é que os alunos tenham o domínio de duas ou três línguas não maternas, assim como a experiência de vida promotora de saúde física, dotados de inteligência emocional e do temor a Deus.

Qual a proposta de unidade que a Rede de Educação apresenta para igrejas, entidades sociais, como Lar Batista e Recanto dos Avós, e instituições de ensino?

Fui impactado, certa vez, pela pirâmide humana que as pessoas passantes, turistas ou não, constroem em frente à Igreja Sagrada Família, em Barcelona. A expressão viva desse mausoléu é a lição que encontramos nos ensinamentos de Cristo quando fala “.para que todos sejamos um, como tu és em mim e eu sou em Ti', em João 17.21, e mais, o salmista: “..oh, quão bom e quão suave é que vivamos em união!” no Salmo 133. Sim, se buscarmos a unidade para realização das nossas ações e observarmos a interação das nossas forças, aproveitando de forma sábia nossas potencialidades individuais, seremos capazes de construir pirâmides humanas em todos os segmentos da ciência humana. É como afirmou o filósofo grego Sêneca: "A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”. E assim será no crescimento das igrejas e de nossas instituições com a energia que se forma da mensagem do profeta Isaías de que “.um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: esforça-te!” Se n


ão sonharmos, nada teremos. À Rede pode ser o instrumento para realização desses sonhos.

Quem pode fazer parte da Rede? As instituições mantidas pela Junta de Educação da Convenção Batista do Estado de São Paulo e outras instituições de ensino, como seminários, neste momento, e colégios que, sem perder a autonomia que lhe são atribuídas, buscam o compartilhamento de expertises alcançadas com o acúmulo de conhecimento ao longo dos anos, e pelo trabalho de buscas e pesquisas que existem nessas instituições. Como disse, certa vez, Immanuel Kant: "O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” Portanto, creio que o conhecimento pertence à humanidade e não pode ser monopólio de um ou de outro segmento. É preciso compartilhar e, assim, beneficiar —- ou abençoar — a todos pela cooperação, própria do DNA batista.

Mas, quais caminhos elas devem seguir?


Os seminários, por exemplo, devem se manter unidos às associações regionais ou as igrejas a que estão vinculadas. O estímulo à criação de escolas ao lado das igrejas é uma herança recebida dos missionários americanos, desde o século XIX, e tanto quanto possível podemos continuar essa missão como estratégia de ação espiritual. Outra coisa diz respeito a uma massa invisível e potencialmente explorável que nasce da emp


atia de alunos e professores que fizeram sua história em nossos colégios e faculdades. O sentimento deles é de amor e de valorização das instituições e que pode, e quer, contribuir muito para o fortalecimento e preservação da memória de suas raízes. É uma experiência que se utiliza em várias partes do mundo e aqui também é possível acontecer.

A Rede adotará um modelo/sistema único, padronizado de ensino confessional ou haverá autonomia para cada unidade?

O sistema de ensino é algo que contribui sobremaneira na atividade educacional. Há, sim, o projeto de um sistema a serviço da RBEd e por ela preparado. Nesse projeto, a própria editora, com seu corpo de pesquisadores, poderá contribuir para fortalecer o ensino nas escolas confessionais. É bom que se diga que a Rede não quer o monopólio do ensino, ao contrário, o estímulo, a prospecção e o incentivo são palavras que norteiam suas ações.

Qual destaque observa diante dessa nova oportunidade?

Parafraseando o apóstolo Paulo, em 1Coríntios 3.6, os missionários americanos plantaram, os batistas paulistas regam e Deus dá o crescimento. E como disse Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Por isso, sou muito grato a Deus pela família de colaboradores fiéis, uma equipe vencedora, composta por funcionários, professores, coordenadores, fornecedores, gente parceira e trabalhadora. E não posso esquecer das famílias que confiam a nós a educação de seus filhos, que nos mobilizam: a manter a tradição de inovar sempre.



Fonte: Revista Batista de São Paulo


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